domingo, 7 de agosto de 2011

“NUM BATER DE ASAS”

Exposição de pintura de Magna Morna


“Num bater de asas” Magna Morna consegue nos arrancar da banalidade da percepção quotidiana e nos despertar para a verdadeira dimensão das coisas num voo pelos valores mais altos da vida e da natureza espiritual. Eterniza momentos interiores que retratam o sossego da mente silenciosa ultrapassando as barreiras do tempo e do espaço em busca da iluminação interior. Os pássaros percorrem o céu num harmonioso voo em direcção à elevação. As figuras humanas, as graciosas borboletas e os misteriosos pégasos também batem asas livremente mediando entre o céu e a terra, voando num espaço que é só seu e que agora tornou nosso, precisamente naquele ponto onde termina a terra e começa o céu e no qual repousa a imortalidade da alma. As suas telas captam a libertação, o auto conhecimento, a magia do universo e o voo das almas e nelas povoam seres brilhantes que mostram a outra parte do mundo que precisa de se unir à terra. Dá asas à dança em movimentos sensuais e graciosos que tão bem expressam a perfeita ordem universal. Cristaliza a esperança na evolução e no renascimento encarnados na figura da mulher que depois de amar profundamente, de se entregar, de experimentar a perfeita fusão das almas, de buscar o diálogo e a compreensão, reage, transforma-se, bate asas, assume a dolorosa ruptura e acaba por se libertar aceitando o inevitável e abdicando do amor em prol da sua descoberta, da sua evolução, do regresso à sua essência e do retorno ao seu ninho no qual reside a salvação de si própria. Que bem retrata a essência feminina, sinónimo de sabedoria, consciência e renascimento! O seu traço faz-nos conviver com belos anjos de corpos erotizados, mensageiros que executam a ordem do criador mas que experimentam a tentação e que buscam a complementaridade entre o homem e a mulher. Magna faz-nos relembrar que, como nos diz Brian Weiss, “não somos simplesmente meros seres humanos aos quais de vez em quando são oferecidas experiências espirituais” mas sim “seres espirituais que de vez em quando passam por experiências humanas”.

                                                                                              Susana Viríssimo Silva

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